10 de março de 2009

Daniel Senise volta à SP e essa imagem acima é uma das telas que mostra na Estação Pinacoteca até abril. Ela é coposta de páginas em branco de livros de arte da editora que dá nome ao trabalho. Quando ele me contou, pensei primeiro na aflição de desmontar aqueles livros preciosos e impecáveis que nasceram no final dos anos 1920 pelas mão do sr. Albert Skira, editor (no mesmo ano) de A Metamorfose de Ovidio, com ilustrações de Pablo Picasso (30 originais, em cada volume numerado, okey?) e as Poesias (completas, possivelmente) de Stéphane Mallarmé, volume acompanhado de 29 gravuras de Henri Matisse. Depois percebi que estávamos falando de uma engenhosidade que faz com que me incomode com a insistência em ligar Senise primeiro, Sempre e acima de tudo com a Geração 80, numa eterna necessidade de escolarizar, o que não cabe muito na arte contemporânea. Não essa que se reinventa. Basta olhar para essa tela feita a partir de páginas “em branco” de livros de arte.
Não acho que dá pra chamar de homenagem, mas também o que importaria. Abaixo, Matisse, na editora, verificando as provas realizadas pelo litógrafo Fernand Mourlot para o volume de 1929. Que páginas dessa estão dentro do trabalho de Senise? E quantas páginas e obras estão contidas dentro das peças que Matisse liberava com o sr. Mourlot?

6 de março de 2009

Essa baderna chique aà é onde a Pinky Weiner e o Xico Sá se reúnem para continuar amando fazer arte e livros sem precisar de intermadiários. Os números do negócio não importam. A loja é linda, o conceito é maravilhoso: é loja, é editora, é atelier, faz permuta e não tem compromisso com ninguém. Como se não bastasse ainda tem o prestÃgio de vender objetos inéditos de artistas da estatura do Nelson Leirner, que está sem galeria em SP. Ele rompeu no fim do ano passado com a Brito Cimino (atual Luciana Brito). Muito elegante, o artista mesmo não conta, mas a gente sabe pelo mercado que ele descobriu até obra vendida pra colecionador na China, sem o seu okey.
A Pinky, que antes de dona de loja é artista, enfeitou a fachada da loja com a irônica placa “galeria”. Entre, se divirta e gaste. Por muito menos que qualquer peça da Luciana Brito, você leva bastante cultura pra casa. E outras coisas mais úteis, como aquele bercinho de madeira torneada ali do canto direito. Minha Lulu ficaria linda nele.
12 de fevereiro de 2009

Diretamente da nossa sucursal no Rio, contribuição da Fernandinha Lopes:
Entre os 10+
O artista paulistano Marcelo Cidade foi eleito uma das “apostas da redação” da revista Beaux Arts, considerada a mais importante sobre artes da França. A matéria de capa da edição de fevereiro da revista traz 10 jovens artistas eleitos pela publicação como promessas da área e entre os trabalhos cita Eu Horizonte 7, de Cidade. Além do artista brasileiro, estão na lista Spartacus Chetwynd (Inglaterra), Wilfredo Prieto (Cuba), Seth Price (Israel/EUA), Benedikt Hipp (Alemanha), Yann Serandour (França), Mai-Thu Perret (SuÃça), Oscar Tuazon (EUA), Wu Xiaohai (China) e Benoit Maitre (França).
O ambiente urbano e o sistema das artes são focos de discussão dos trabalhos de Marcelo Cidade, que na 27ª Bienal de São Paulo, em 2006, bloqueou clandestinamente o sinal de celulares durante a abertura do evento e instalou câmeras de segurança falsas em diferentes pontos do prédio da Fundação Bienal. Até o dia 28 de fevereiro, Cidade participa da exposição Ph Neutro na Galeria Vermelho (SP), onde apresenta a instalação Mercado Neutro. Apresentada em 2008 na MiamiBasel Art Fair, a obra é composta por 375 embalagens de plástico embutido cinza, dispostas de forma semelhante à s estantes de qualquer supermercado, dando continuidade à sua crÃtica ao sistema social e econômico.
Foto: Eu Horizonte 7, fotografia de 2001, do acervo da Galeria Vermelho

PS (meu) sobre a obra acima: Adoramos autoretratos
3 de fevereiro de 2009
José Medeiros fotografou para a Cruzeiro por 15 anos. Retratou gente importante, acontecimentos, cenas polêmicas. A exposição que mostra seu trabalho até abril no Instituto Moreira Salles em São Paulo deixa clara sua queda pelos assuntos culturais, com fotos ótimas de bastidores dos anos 40 e 50 como a cena de (Oscar) Nieneyer com Jobim e Vinicius, com Lia, sua mulher na época, na pré-estréia de Orfeu da Conceição.
Medeiros também publicou trabalhos polêmicos como as cenas do ritual de iniciação de um terreiro de candomblé na Bahia, que em 1954 viraram livro, reeditado e hoje vendido (pelo site inclusive) do IMS (www.ims.com.br). Mas talvez mais que tudo, Medeiros sacramentou uma organização modelar de carreira. Assinou a saÃda da revista que o tornou conhecido pelo fotojornalismo, lançou seu livro, criou uma das primeiras agências de fotojornalismo do paÃs, a Image, dirigiu a fotografia de filmes como A Falecida (de Leon Hirszman) e Xica da Silva (Cacá Diegiues), foi ensinar fotografia em Cuba e morreu na itália. Velhinho, com sua obra bem-encaminhada para a posteridade.
Abaixo, uma das fotografias do livro Candomblé, reeditado pelo IMS:

24 de janeiro de 2009

Window art, no Chelsea, NY
Com alguns aninhos de atraso, a Der Spiegel descobriu a arte brasileira. Melhor, com algum atraso, a revista alemã noticiou semana passada que a arte brasileira está bombando. É a bola da vez.
É ótimo, principalmente por se tratar de sua versão online, em vésperas de feiras internacionais se abrindo no velho mundo. Aliás, Nicoele Buesing e Heiko Klaas, autores do texto, sustentama tese citando a SP Arte como marco da maturidade comercial da nossa produção contemporânea. Acho que mais para causar efeito de texto do que outra coisa, eles vaticinam que a Barra Funda será o próximo Chelsea, ‘the brazilian Chelsea’.
Lembrou com carinho do capitão dono de barco rebocador do Benjamin Button (vejam, vejam), que queria ser artista e, obrigado a tocar o negócio do pai no mar, passou a vida tatuando o corpo dentro do barco batizado com o nome do bairro de galerias e lojinhas de arte em NY.
Também vivemos de marés por aqui, dear Speiglel. Mas danke mesmo assim.
23 de janeiro de 2009
Médico e um dos sobrevinetes da Geração 80, o alagoano Delson Uchôa vai representar o Brasil (ao lado do paraense Luiz Braga), na Bienal de Veneza deste ano. A escolha é do curador Ivo Mesquita, que parece propor com isso uma contra-mão do excesso de conceitualismo (e ausência de obras de arte) do seu projeto anterior, a Bienal de São Paulo, cuja personalidade mais incensada, Caroline Piveta, a menina que virou artista por um dia depois de ser presa pixando o pavilhão, foi parar atrás das grades hoje de novo, roubando DVDs na Americanas (o que seria um novo tipo de intervenção artÃstica ainda pouco compreendida pela sociedade?). Prova de que faltou, entre outras coisas, assunto, na última Bienal de Sampa.
Escolha feliz. Alegre, mais precisamente. Uchôa ilustrou uma das Bienais de São Paulo mais interessantes dos últimos tempos, a de Paulo Herkenhoff, que na época explicou assim a escolha pela alardeante obra do artista: “a cor caipira do Sudeste não dá conta do Brasil. Ushôa extrai a luminosidade e estridência da cor do Nordeste.”
Italianos, preparem sua retina:

Maxixie, obra de Delson Ushôa